31/10/2018 - Experiências gastronômicas: como essa tendência vem mudando o mercado da alimentação fora de casa


Com um público mais exigente e seletivo, a relação de compra entre empresas e consumidores mudou. Veja estratégias de interação

Nos últimos anos, a gastronomia tem aderido a um movimento que ganha força em diferentes contextos: as experiências. Mais do que apenas servir comida, hoje, trabalhar com gastronomia é pensar em formas de impactar positivamente o cliente, levando em conta sentidos diferentes. Com um público mais exigente e seletivo, a relação de compra entre empresas e consumidores mudou. Hoje, ela precisa ser mais pessoal, íntima e ir além do simples fornecimento de um produto.

O desafio é vender, junto com a gastronomia de qualidade, experiências que agucem sentidos além do paladar e permitam que o consumidor crie memórias positivas. Se o turismo de experiência já está consolidado como uma nova forma de conhecer lugares, a gastronomia de experiência se fortalece com a proposta de servir pratos de qualidade, levando em conta a vivência do consumidor e a subjetividade das relações de compra. A comida, é claro, segue protagonista, mas são os diferenciais que colocam os restaurantes, bares, pubs, confeitarias e até mesmo food trucks na liderança do mercado. – A busca por uma vivência memorável e transformadora é cada vez mais comum entre quem opta por comer fora de casa.

O consumidor relaciona a ida a um restaurante com um momento carregado de simbologias, que trazem uma complexidade de sentimentos – explica a coordenadora estadual dos Projetos de Alimentação Fora do Lar do Sebrae/SC, Simone Amorim. Neste cenário, empresas que trabalham com alimentação precisam se adaptar para atender às novas demandas dos clientes se quiserem se manter competitivas. A mudança de comportamento também tem caráter econômico: as dificuldades financeiras do país fizeram com que muitas pessoas contivessem gastos com alimentação externa. Portanto, em tempos em que comer fora é um momento mais especial, a expectativa do público é que os estabelecimentos entendam esse pensamento e proporcionem experiências de valor.

O caminho para o coração do consumidor

O primeiro passo para quem atua na área da gastronomia é reconhecer a necessidade de adaptação. O segundo é entender por onde começar a se reposicionar e tornar-se mais competitivo. De acordo com o artigo “Experiência Gastronômica: encante o seu cliente para fidelizá-lo”, produzido pelo Sebrae e que pode ser acessado na íntegra aqui, existem seis dimensões que afetam a experiência do consumidor:

1.Foco no cliente

Para que um cliente veja valor na experiência que está consumindo, ela precisa estar alinhada com os desejos e expectativas dele. É por isso que é fundamental entender quem é o cliente, o que ele deseja, em que circunstância ocorre o consumo e que problema o negócio pode ajudar a resolver. Ou seja, definir a persona do empreendimento é essencial para alinhar expectativas. Um restaurante que serve almoços executivos, por exemplo, tem uma missão muito diferente de um bistrô que recebe pessoas buscando comemorar bons momentos, por exemplo. Saber isso ajuda a definir o ambiente, o tipo de atendimento, o cardápio e de que forma é possível encantar o cliente.

2.Gastronomia

Em tempos de crescente interesse pela gastronomia – basta ver a quantidade de competições gastronômicas e programas de TV sobre o tema – o público, mais informado sobre as possibilidades de pratos, combinações, ingredientes e tendências, busca experimentar novos sabores, se preocupa mais com a apresentação dos pratos e valoriza a adaptabilidade dos restaurantes. Esse movimento motiva os empreendimentos a buscarem formas de desenvolver seus produtos, a cuidarem da impressão visual do que oferecem, a testarem novos ingredientes e a trazerem a criatividade para o dia a dia da cozinha.

3.Identidade

Um dos itens mais difíceis de trabalhar em um empreendimento é a questão da identidade e da autenticidade. Ao definir que público quer atender e o tipo de gastronomia oferecida, a ideia de manter a identidade tem a ver com ser fiel à proposta que o restaurante oferece. Uma casa especializada em comida japonesa que serve também hambúrgueres, por exemplo, não segue uma proposta de valor uniformizada e não transmite tanta confiança para o consumidor. É preciso ter foco na identidade em todos os âmbitos do empreendimento: da elaboração do cardápio até a apresentação visual e comunicação com os clientes.

4.Produto/Produtor

Uma tendência mundial que começa a ganhar força no Brasil propõe mais consciência sobre a origem dos alimentos que ingerimos. A preocupação em consumir produtos orgânicos, sazonais ou produzidos localmente (e que impulsionam a economia e os produtores locais) tem sido critério de muitos consumidores na hora de escolher onde comer. Investir nesses elementos ao comprar a matéria-prima dos pratos do restaurante pode funcionar como uma forma de se aproximar do consumidor e também como argumento na comunicação da empresa.


5.Localização/Ambiente

Outro aspecto essencial para garantir uma boa experiência gastronômica é a apresentação do ambiente. Em alguns lugares, a vista do local funciona como um adorno que se vende por contra própria (pense em um restaurante à beira-mar ou com vista para montanhas). Em outros, é preciso investir em uma ambientação que combine com a proposta de valor e com a identidade do restaurante. É aí que entra a importância de ter não apenas decoração, mas também som ambiente, objetos decorativos e diferentes detalhes que, somados, ajudam a criar uma experiência memorável.

6.Tendências Sociais e de Consumo

Comer é, e sempre foi, uma experiência social e coletiva. Hoje, em tempos de redes sociais e relações digitais, o tempo dedicado às refeições ganha ainda mais importância por fazer parte dos poucos momentos de desconexão do meio digital e permitir conexões reais. A forma como bares, restaurantes, cafeterias e outros empreendimentos gastronômicos é pensada ajuda a promover o compartilhamento, tendência que pode ser adotada como estratégia para atrair e fidelizar o público.

Food Experience promove adaptação e competitividade

Sabendo que inovar na forma de fazer negócios é um desafio, o Sebrae/SC sempre busca formas de ajudar empresas a se manterem competitivas. Na área da gastronomia, um dos projetos em vigor é o Food Experience, que por meio do Programa Abrasel Qualifica promove cursos, workshops e oficinas com as temáticas de manipulação de alimentos, excelência no atendimento, redução de custos, gestão de estoque e gestão financeira para os 130 estabelecimentos participantes. A ideia é dividir conhecimento de experts para que o caminho para a implementação de estratégias seja simplificado, permitindo que os empreendedores tomem ações práticas no dia a dia das empresas e vejam resultado em pouco tempo.

Além dos encontros de qualificação, o Sebrae/SC também atua por meio de consultorias especializadas em desenvolvimento de produtos de gastronomia de experiência - Food Experience - brandsense, food design, storytelling, festivais gastronômicos, organização e apoio em missões empresariais, sessões de negócios com os elos da cadeia de Alimentação Fora do Lar, entre outras ações de fortalecimento da cadeia de valor. O projeto é voltado para micro e pequenas empresas de diferentes regiões do Estado e tem como objetivo valorizar não apenas a cultura de cada local, mas promover a integração de uma cadeia de valor que representa um montante significativo da economia catarinense. Junto com o turismo, a gastronomia promove a cultura catarinense e a geração de riqueza no Estado. O Food Experience é uma iniciativa que tem um fim econômico, mas também pessoal, já que fortalece o conhecimento empreendedor dos empresários que aprendem a inovar e se manterem competitivos. 

Fonte: G1